María José Pereira é a responsável pela área da análise sensorial do Laboratório da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Tivemos o prazer de assistir a uma aula magistral sobre este tema no âmbito do Curso de Análise Sensorial e Prova de Vinhos organizado pelo AECT Duero-Douro  em Fermoselle Villa del Vino. As suas respostas revelam o profissionalismo e o conhecimento que caracterizam María José Pereira, uma das maiores especialistas em vinhos em Portugal.

María José Pereira de Vinhos Verdes en el Curso de Análisis Sensorial y Cata de Vinos de AECT Duero-Douro.

María José Pereira de Vinhos Verdes en el Curso de Análisis Sensorial y Cata de Vinos de AECT Duero-Douro.

 

Esperamos que a entrevista seja do vosso agrado.

Qual seria o ponto forte dos vinhos verdes hoje em dia?

Os números falam por si… cerca de 17.000 hectares de vinha para Denominação de Origem VINHO VERDE, cerca de 6500 agentes económicos, 1.400 marcas de vinho, 45 castas para a produção da Denominação de Origem VINHO VERDE e 67 castas permitidas para a produção da Indicação Geográfica Minho, 9 sub-regiões, 96 milhões de litros de produção em 2022 e mais de 100 mercados exportação.

Demarcada em 1908, a Região Demarcada dos Vinhos Verdes está a ter um percurso soberbo. Tradicionalmente uma região de tintos. Na década de 90 dá-se a inversão de tinto para branco. Hoje, mais de 75% do encepamento é branco e a Região dos Vinhos Verdes tornou-se numa região ímpar, na produção de brancos. Diferentes solos, microclimas, métodos de vinificação, sistemas de condução e castas são os elementos diferenciadores das 9 sub-regiões. Os diferentes terroirs regionais exibem vinhos de personalidade e características únicas, permitindo que a Região dos Vinhos Verdes produza uma grande diversidade de vinhos:

– Vinhos Verdes de estilo clássico – jovens, leves e frescos, com baixo teor alcoólico;

–  Vinhos Verdes sofisticados, com grande potencial de guarda, estruturados, com estágio e/ou envelhecimento em madeira, mais alcoólicos, de aromas e sabores complexos, intensos e minerais.

Novos horizontes na DOC Vinhos Verdes: para onde vai.

Aumentar o valor das uvas e vinhos da Região; incrementar o potencial produtivo, respeitando a tradição; expandir novas categorias de vinhos de excelência, alargando a base de consumidores; estabelecer o negócio num ambiente sustentável; contribuir de modo transversal para a excelência na liderança dos negócios e a liderança nacional na certificação, promoção, estratégia coletiva e de defesa dos interesses do sector; constituem os pilares estratégicos definidos pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, para a Região.

Por sua vez, através da Estação Vitivinícola Amândio Galhano (EVAG), (pertença da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes), propriedade localizada em Arcos de Valdevez, conhecida pela Quinta de Campos de Lima,  na margem direita do Rio Lima, com uma área de 66ha pretende-se construir uma rede de networking com a Academia, com variados parceiros, incluindo agentes económicos da região, proporcionando a troca de conhecimentos e experiências que servirão para corresponder à evolução dos processos de produção e reprodução do meio vitivinícola atual, com o objetivo final de formar e informar os produtores na área da vinha e da enologia.

Em marcha está também a implementação do Plano de Sustentabilidade do Vinho Verde, o qual será adaptado às necessidades regionais e dar cumprimento aos referencias exigidos para determinados mercados.

Apostar na diversidade de castas autóctones e na preservação do património genético é um dever e aposta regional.

Foco na promoção de práticas agrícolas sustentáveis, tendo como instrumentos para a sua correta execução, o Programa de Sustentabilidade do Vinho Verde nas componentes económica, social e ambiental; o programa de formação desenvolvido através da Academia do Vinho Verde, e a implementação e concretização de Agenda Investigação & Desenvolvimento e experimentação são prioridades do momento.

Logo Vinhos Verdes

Logo Vinhos Verdes

O que pensa sobre o curso de Análise Sensorial e Degustação de Vinho organizado pelo AECT Duero-Douro em Fermoselle?

Considero importante na medida em que contribui para dar a conhecer as características dos vinhos produzidos em diversas regiões vitícolas, bem como, os pressupostos inerentes à sua produção e vinificação.

Na sua opinião, esta formação é necessária para as pessoas que trabalham no sector do vinho? Porquê?

Claro que sim. A aprendizagem sobre o vinho está na “moda”. Cada vez mais os consumidores procuram informação sobre o vinho. Toda a informação inerente à rastreabilidade do circuito da produção de uma garrafa de vinho, desde a sua origem (produção de uvas) até à sua comercialização tem atraído o interesse de muitos consumidores. E obviamente, torna-se imperativo para os profissionais! O conhecimento do vinho, suas características analíticas e sensoriais, é absolutamente fundamental em qualquer área da viticultura, adega, hotelaria e restauração e marketing.

O que é o mais importante num vinho?

É uma tendência mundial a preocupação da valorização do produto o qual está intimamente relacionado com a sua qualidade.

A qualidade de um vinho, é difícil de definir (o que agrada a uns pode não agradar a outros) e depois, é difícil de avaliar…. Há no entanto, vários critérios que se utilizam para avaliar a qualidade de um vinho, não obstante, nem sempre existir consenso entre consumidores e os profissionais do vinho. O equilíbrio (avaliado pela integração dos vários componentes – açúcar, fruta, acidez, taninos e álcool), intensidade dos aromas e sabores, complexidade e persistência final. Finalmente e não menos importante, a qualidade de um vinho deverá acima de tudo, retratar a Identidade e Autenticidade da Região que o produz. Isso é absolutamente essencial!

VINHOS VERDES

A lista de entrevistas com os melhores profissionais de vinho de Portugal e Espanha continua a aumentar. Pode lê-las todas na secção Notícias e desfrutar de dezenas de artigos curiosos sobre a nossa cultura do vinho no Blogue das Adegas de Fermoselle.